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| O Grito (1893) |
Se mostram cada vez mais presentes no estralar dos meus dedos, no peso dos olhos, na boca que cala mas range os dentes e morde a língua pra se conter. Mostra-se no bater dos pés, no olhar estático, nos arrepios, nos devaneios, no suor.
A gente vê tanta coisa ao mesmo tempo. Vê em tanta gente a mesma coisa. A mesma música, o mesmo filme - mas eu vi esse filme semana passada, como já estão passando de novo? -, a mesma piada, a mesma monotonia. E tudo isso vai acontecendo enquanto o coração vai palpitando cada vez mais rápido e mais perto de parar definitivamente.
O tempo vai paralisando, acelerando... Assim, alternadamente, confundindo a cabeça e definhando por dentro. Mas como é que amanhã já é sexta, se ontem era segunda?
E como é que ainda é quinta feira, se ontem já era quinta feira?
A agonia vai crescendo junto com a ansiedade. O vômito vem subindo. A inquietação aumenta na mesma proporção em que a cabeça vai se esgotando. O cérebro "queima", procurando solução pra angústia que se faz cada vez mais presente. Tanta coisa pra falar, tão pouco tempo. Muita coisa pra fazer em tanto tempo assim.
E já estamos em maio... olhe onde nós chegamos.
Escrevo, desenho, corro, grito, canto, choro, sorrio, esperneio, beijo, me apaixono, desapaixono. Tudo que eu puder fazer para me manter vivendo, eu faço. Tudo pra afastar a angústia. Tudo pra evitar o inevitável.
Porque a angústia sempre vai estar lá, querendo ou não. É ela que te motiva, que te questiona, que te faz questionar, duvidar, pensar, criar. Porque o caos, a angústia, são coisas tão... lindas. Destrutivamente lindas. É dela que vem a inspiração, seja boa ou ruim. Então ela vai permanecer, e vai te fazer dar dois passos a frente para cada um passo para trás.
E é por isso que a mantenho, crescendo cada vez mais rápido, se alimentando de mim mesma, me corroendo pelas beiradas.
E nunca me senti tão destruída como agora.
Muito menos tão confortável.
Gotye - Hearts A Mess

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