Eu não queria saber que horas eram. Eu não queria saber se no dia seguinte eu teria que acordar mais cedo. Eu não queria saber se eu tinha deixado a maior sujeira por causa das esfihas e dos copos jogados. Eu não queria saber de nada. Eu queria saber deles. Eu queria saber do violão. E das risadas. E das luzes da avenida que pareciam estar exibindo toda a beleza possível. Até porque, naquele dia, ela tinha platéia. E era uma platéia animada, pra falar a verdade. Eu não queria saber se eu estava morrendo de sono. Eu dormiria ali mesmo. Sem cobertor, sem travesseiro, colchão. Sem nada. Só de estar ali já estava ótimo.
Sempre que a felicidade chega pra mim, eu me fodo no final. Não sei se é destino, se é coincidência, ou se Deus simplesmente não gosta de mim e resolve me foder das melhores (ou seriam piores?) maneiras possíveis. Eu não sei o que acontece, mas o veredito é que eu sempre me foda no final. Mas sinceramente, iso nem me preocupa mais. Eu nem me preocupo mais. Nem me preocupo mais com o meu cabelo que não consegue ficar bonito, nem me preocupo mais se minhas roupas estão ficando cada vez mais apertadas, nem me preocupo mais com o hoje, com o ontem, e com o amanhã. É so me lembrar da varanda, e já está tudo ótimo.
Nós ainda somos muito jovens para morrer.
Albert Hammond Jr - Bright Young Thing
